Diálogos de filmes que eu nunca vou fazer #1

“Olha, amor, eu não sei mais o que eu sinto…Essa relação nossa, entende? Eu não sei se é isso que eu quero, se eu estou preparada…”
“Mas Alice…é cedo demais pra terminar…”
“Como assim? Você acha que a gente devia tentar de novo? Você ainda acredita que pode dar certo?”
“Não, é que são 06:15 da manhã e você me liga pra ter uma papo desses? Pô, ta cedo demais…Me liga depois das 10:00 e a gente termina, pelo amor de Deus…”
Princesas Disney

Estava eu tendo uma profunda discussão com meu irmão sobre desenhos das Disney quando nós notamos uma coisa interessante: eles já tiveram mocinhas loiras, índias, morenas, havaianas, chinesas e até mesmo grupos étnicos realmente minoritários, como as sereias (na verdade até uma vaca já foi mocinha de desenho Disney). Mas nunca, em nenhum desenho, houve uma mocinha/princesa/protagonista negra. E sério, eu acho que fui uma das primeiras pessoas a notar isso, ao que parece.
Tenho certeza, claro, que isso não se deve a preconceito e sim apenas a distração por parte de dos roteiristas e produtores, afinal, eles escrevem sobre o que eles conhecem e nós que vemos os programas americanos sabemos que os negros são um grupo bem menos representativo nos “US and “ do que as…sereias, as vacas e as fadinhas. Mas eu, cara gente boa e amigão que sou, decidi escrever, gratuitamente, um roteiro estilo Disney para preencher essa lacuna criativa que ainda existe nos estúdios do tio Walt. E vamos a essa singela historinha.
Como todo roteiro Disney, ela utilizaria todos os clichês possíveis de aplicação na história e iria distorcer todo o contexto em que ela se passaria, pra ficar uma coisa bem legal pra criançada. A princesa Leteesha (nome africano estereotipado), filha do rei Tchaala (nome africano plagiado de um personagem de quadrinhos) e da rainha Naomi (homenagem a Naomi Campbell) é raptada na costa da África por membros de uma tribo rival e vendida como escrava. Chegando na América ela vai trabalhar em uma fazenda de algodão (clichê) onde se apaixona pelo jovem Adam Macniven (clichê), filho do dono da fazenda (cliiiichê). Ele então se decide a ajudá-la a voltar para sua terra e reencontrar seus pais, que estão no meio de uma guerra com o reino rival (clichê alimentado com sustagem).
Mas claro, teriam outros elemento Disney clássicos, como um bichinho de estimação (que eu pensei em ser um elefantinho…mas não sei se seria viável…), e os musicais. Mas eu pensei em, pra ficar mais estereotipado ainda, todos os musicais serem com músicas hip-hop, olha só que legal! Aí a gente colocaria o Jay-Z pra dublar o rei, a Missy Elliot para dublar a rainha, a Beyoncé faria a princesa (Rihana poderia fazer a irmã mais nova dela), Sean Kingston dublaria o elefantinho (mas não é porque ele é gordo…ok, é sim) e o mocinho seria dublado pelo…Jerry Seinfield? Não…Ah, Jimmy Fallon? Adam Sandler? Ok, ok, que seja o maldito Eminem…
Todas as músicas seriam produzidas pelo Timbaland, e teríamos faixas cantadas pelo 50 Cent ou Kanye West, com títulos como “Don’t mess with my tribe or I’ll shoot your fucking elephants” e “Get home to Africa or die trying”. No final a personagem teria que escolher entre seu amor pelo mocinho e por sua terra. Assim, totalmente Disney, cara! Brilhante, não? Espero contatos dos estúdios para dar mais detalhes, como por exemplo a descrição da mega-cena de batalha na selva africana ao som “I like big butts and I canno’t lie”. Sensacional.
Incompreensão da semana
Sobre o clipe da Madami Mim, faço minhas as palavras do poeta máximo da minha geração, Julian Casablancas: “As pessoas não entendem, as namoradas não vão entender, seus netos não vão entender e eu, eu nunca vou entender…”