Viagem na Irrealidade Cotidiana

Sexta-feira (28/11) estou eu voltando tranqüilamente para casa após mais um dia de trabalho. Já eram quase onze horas da noite e eu transitava nas redondezas do Vianna Junior com a minha melhor cara de “working class hero” após um dia de trabalho árduo, com minha mochila transversal no ombro, meu mp3 tocando Strokes em alto e bom som e a tranqüilidade de um sábado de folga pela frente. Na frente do colégio estava acontecendo uma espécie de micareta comemorativa de final de período, ou algo assim.
Perto do trio, tentando sair da multidão, um pobre senhor com um fusca, provavelmente datado do pleistocênico superior (através da datação com carbono) empurrando aquele amontoado de metal para que ele saísse do lugar. Em torno dele uma multidão de pós-adolescentes, todos estudantes, dando aquela força pro pobre idoso. Por “aquela força” entenda-se rir dele e atirar latinhas no carro. Tentando ajudar meu semelhante e ciente de que eu realmente preciso fazer muitas boas ações pra compensar todas as piadas que fiz sobre o caso Nardoni, lá fui eu ajudar o senhor a empurrar aquela máquina possante.
E eu empurrei. Por um parte da avenida dos Andradas, tomando algumas latinhas na cabeça e notando rapidamente que aquela coisa(o carro) era á álcool, mas empurrei. Até que, num momento de felicidade, o carro pegou. Sim, pegou e o velhinho foi, todo feliz, me agradecendo, dizendo que deus vai me proteger, me recompensar, que o mundo precisa de mais pessoas como eu, e que os moleques do Vianna são todos uns “cariocas filhos da puta”. E eu sorri, alegre, ciente de que tinha tornado mais feliz um outro ser humano. E vi o carro dele terminar a avenida e entrar no cruzamento em direção a Rio Branco. Quando ele teve que parar num sinal vermelho e morreu de novo.
Em tempo: sábado de manhã eu entro no Orkut e uma pessoa nova me adicionou. Sim, ele, o velhinho do fusca. E no perfil ele se auto-intitula “mulek piranha”. E eu perdi meu tempo empurrando um carro pra um calhorda desses…
1 – Sim, você empurrou o carro de um calhorda desses.
2 – Quão legal é saber que os que ele entitulou de “cariocas filhos da puta” são mineiros e o cara que empurrou o carro é carioca?
3 – Eu nunca entendi o “bota-fora” do Vianna…
Bem, eu não sou carioca, tecnicamente…E nem filho da puta, afinal, mamãe é costureira e sempre foi bem ética com a vida pessoal dela..E ser nova-iguaçuano (?!) também não é muito minha cara, por várias razões…Mas agora é tarde demais pra nascer irlandês de verdade, certo?
Caramba, e o velhinho ainda te achou no orkut?
A inclusão digital é mesmo incrível.
chamou-me a atenção o fato de vc trabalhar e conseguir acordar no sábado DE MANHÃ. E ainda para checar o Orkut.
Ri de dar gargalhada:
“compensar todas as piadas que fiz sobre o caso Nardoni”
…eu estava no bota fora…. e provavelmente uma das latinhas foi arremessadas da Ana Tereza!! rsrs