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Vida de Solteiro Limited Series

Episódio de hoje: Status Quo

E então você está solteiro. E você fica com uma garota. E você fica com aquela agrota de novo. E você fica com outra garota. E você fica de novo com aquela primeira guria, mas você não sabe se vai querer ficar com aquele outra, ainda mais porque você conheceu uma garota legal, mas aquela garota do começo está querendo namorar e você não quer namorar ninguém. Ainda que você tenha conhecido aquela garota sábado que até valeria a pena namorar, mas ela provavelmente já gosta um cara. Ou de uma garota. É, fiquei confuso…

Mas ok, o tema desse post é a dificuldade de classificar relacionamentos em seus diversos estágios. Qual a diferença entre ficar e “estar ficando”? Quando que ficar vira namorar? Se está só ficando, vale ficar com todo mundo? O que os Tribalistas queriam dizer com “não sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem”? Namorar pra que? Noivar pra que? Como se conjuga o verbo noivar na primeira pessoa? “Eu noivo”? Vale a pena casar sem arma na cabeça? Por que “com a filha de João, Antônio ia se casar, mas Pedro fugiu com a noiva na hora de ir pro altar”?

Ficar – Atitude de contato pessoal isolada. Não importa nesse caso o teor da ficada (tanto faz um beijo numa micareta ou uma noite de 12 horas de sexo selvagem numa festa de bodas de ouro da avó de alguém), e sim o fato de que é um evento esparso, sem planos de repetição. Você ficou e pronto, não vai ficar mais, muitas vezes nem vai falar mais, algumas vezes nem vai ver mais. Exemplo clássico é a ficada em festa, a ficada entre pessoas bêbadas desconhecidas, a micareta e aquela noite de carência em que você fica com aquela sua amiga com quem você tinha jurado que não ia ficar.

Estar ficando – “Estar ficando” é o “present continuous” da ficada. É o ficar que se prolonga e se repete, ainda que sem uma duração e sem regras determinadas. É uma espécie de estágio de testes para um possível namoro, em que ninguém combina nada sobre fidelidade, mas fica puto se o outro ficar com alguém, e ninguém discute nada sobre continuar ficando, mas se chateia quando o outro diz que não dá mais. É um teste para as afinidades mais gerais (“olha só, ela também gosta de Monk”), os dados básicos de caráter (“é, ela não trai…ou pelo menos finge bem…”) e as reações superficiais do círculo familiar e de amizades (“hummm…essa a minha mãe não tentou matar…pode ter futuro…”)

Namorar – Você ficou, continuou ficando e as coisas não perderam a graça. Você acha que vale mais a pena garantir isso que você achou do que manter aquela sua vida de promiscuidade e diversão irresponsável (ou de Playstation 2 e maratonas de Heroes, isso varia de pessoa pra pessoa), então começa um namoro. No namoro valem as regras clássicas envolvendo responsabilidade, fidelidade, seriedade e tudo mais que a revolução francesa pregava. Nesse nível a vida pessoal já é seriamente alterada, um passa a freqüentar a casa do outro, as mães se conhecem, os pais conversam sobre futebol e os amigos viram “amigos do casal”. Até vocês terminarem, claro, aí todos viram amigos dela e você é tratado como um canalha.

Noivar – Hábito já perdido em muitas regiões do globo, o noivado é a versão hardcore do “estar ficando”, algo como um “estar namorando”. É o treino livre para o casamento, cuja função é basicamente garantir tempo para que o casal junte dinheiro e o cara aceite que a estrada acabou ali, todo mundo gostava muito dele e deseja sorte lá do outro lado da vida. O noivado é a versão beta do casamento, cheio de bugs e falhas de sistema, mas que ainda está dentro do prazo de cancelamento da compra.

Morar junto – Outra variação hardcore do namoro, morar junto é como namorar, só que sem poder deixar ela em casa e nem ficar vendo futebol sozinho na sua. Também conhecido como “juntar”, é um test drive de casamento visando economizar a grana de um dos aluguéis e poupar aquele dinheiro todo com padre e igreja, que realmente deve sair meio caro, ainda mais agora com a crise econômica mundial. É como um casamento versão pirata, porque é igual ao casamento só que sem um contrato pra proteger as partes interessadas.

Casar – The real thing. Você achou a mulher certa, ou pelo menos a “menos errada” e decidiu que é hora de apostar alto. É com ela que você quer morar, criar seus filhos, brigar nas quintas-feiras à noite e é ela que você quer levar pra jantar sexta pra fazer as pazes. Você realmente considera que ela pode ser pra sempre (dure isso o tempo que durar) e quer que seja oficial pra todo mundo saber e você poder reforçar o time dos casados na empresa. É basicamente a decisão mais drástica que uma pessoa pode tomar em relação à própria vida pessoal, empatada com ir para o seminário e declarar em público que gosta do Diogo Mainardi.

Novembro 19, 2008 - Publicado por João Baldi Jr. | Vida de Solteiro | , | 5 Comentários

5 Comentários »

  1. Você tá em primeiro lugar no meu ranking de “pessoas recomendáveis para classificar e definir o inclassificável e indefinível”!

    E sim, é um ranking tosco, buuuuuuuuuuuuuuuut, who cares?

    Comentário por Wury | Novembro 19, 2008 | Responder

  2. Yuri, você sabe, eu defendo que tudo que é emocional deva ser classificado e definido. Vamos deixar o suspense e a dúvidas pras coisas que são inexatas e inexplicáveis, como a matemática e a física.

    Comentário por João | Novembro 20, 2008 | Responder

  3. Acho engraçado esse negócio de classificar o inclassificável.
    Na segunda vez que fiquei com o Vinícius, ele me pediu pra “definir a nossa situação”. Desconversei, falei que era muito cedo (tentativa de passar pelo estágio do “estar ficando”), mas no fundo tudo que eu queria era começar a experimentar vestidos de noiva. Orgulhosa que sou, enrolei umas duas semanas até o momento em que todo mundo do trabalho sabia da gente e fomos obrigados a assumir.
    Definição é difícil de encontrar até dentro da gente.

    Comentário por Angélica | Novembro 26, 2008 | Responder

  4. PALA de rir…

    Comentário por Thaiane | Dezembro 5, 2008 | Responder

  5. Muito bem escrito e com um tom de comédia bem apurado.
    Excelente! Excelente!

    Comentário por Thiago Locutor | Dezembro 12, 2008 | Responder


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